
então eu fui ver King Kong. última sessão, 23h, 183 minutos de filme. isso são 3h. 3h e 3 minutos, na verdade. alguém tem noção de como isso é MUITO tempo? o tempo de uma viagem de recife a são paulo. gastei vendo a naomi watts. e o que posso dizer? gostei MUITO do filme. juro. considerando ser uma superprodução de hollywood, é lógico. super me emociono quando o macaco morre. ops. vocês não sabiam, é? ih. foi mal. ah, não se preocupem, o resumo vai sair menor que o filme. eu acho. ah, é, TEM SPOILERS HEIM. QUEM NAO VIU E NAO QUER SABER, NAO LÊ.
enfim, o filme começa com aquela coisa de "vamos introduzir uma época". anos 30, circos e freak shows em alta. daí a ann darrow (adivinha quem é?) aparece no showzinho de comédia dela, que tá indo à falência. algumas frases de efeito com função dupla depois ("tudo que você ama é tirado de você, não é?" e "você precisa pensar em si mesma agora!"), ela resolve ir atrás de um papel de uma peça escrita por jack driscoll, um roteirista que ela amadoraparasempre+qd+. o agente do casting dá um fora nela e a manda pra alguma coisa da indústria pornográfica. mas, como sabemos que toda heroína é pura, linda, beleza, virgem, maravilha, loira, branca, olhos azuis e casta... não importa a fome, ela nunca perde os princípios.
daí conhecemos o diretor - jack black. adoro. ele é chamado de loser algumas vezes - porque é mesmo - e quer filmar numa ilha desconhecida, que nem está no mapa. claro que os investidores acham aquilo absurdo, um ultraje, arriscado, que ele é um sem talento... daí o jack black sai correndo. deu pra notar q eu nao lembro o nome da personagem? pois é. ele foge pra filmar e descobre que a atriz principal nao quer mais fazer o filme. adivinha quem ele vai encontrar, tentando roubar uma maçã? issaí. e como ele a convence de fazer o filme? adivinha quem é o roteirista? hm? hm? issaí de novo. rola todo um climinha entre os dois, aliás.
vou pular detalhes. algumas cenas de filmagem "olha como os filmes dos anos 30 são BOBOS" depois, a tripulação do navio se toca que eles tão indo pra tal ilha. o nome da ilha? ilha da caveira. simpático, né. terminam tendo que parar lá e um monte de canibais os apreendem. a tripulação fica no barco, se guardando para aquele momento típico de filmes hollywoodianos "e agora, estamos todos ferrados, quem vai nos ajudar?". peter jackson que não é besta usou a tripulação DUAS VEZES pra resgatar a equipe de filmagem "no último momento". por algum motivo inimaginável, os canibais roubam a ann darrow pra sacrificar pra... calma, suspense. vamos fingir que ainda não sabemos que o personagem principal do filme é um macaco gigante. o roteirista fica doido, porque a essas alturas ele já ama a ann darrow. talvez por ela ser a única mulher do navio. talvez por ela ser a naomi watts. aliás, já que estamos falando nela: tem gente que nem acha a história cabível. eu não. é perfeitamente justificável um gorila de 7 metros e meio cair de amores pela naomi watts. tenho certeza que todos os telespectadores concordam. enfim, ele a prende, ela grita. a naomi disse em entrevista que se machucou muito fazendo o filme. não duvido. mas com certeza, a parte do corpo dela mais desgastada foi a garganta. devem ter usado dublê de voz depois de certo ponto. enfim. ela percebe que ele não quer machucá-la e lindas cenas de romance e heroísmo se seguem. ele brinca de chocalhinho com ela, ela faz o seu show de comédia pra ele, ele a defende de dinossauros - sim, dinossauros e a mostra a ilha do topo da montanha. "veja, simba, um dia tudo isso será seu!". ao que ela responde "bonito!" e põe a mão no peito para demonstrar emoção.
a equipe de filmagem, a essas alturas, tá muito pior que a ann darrow. enquanto ela tá lá dormindo na mãozona do kong, sem nenhum arranhão no rosto e sem nenhum problema com o permanente no cabelo, mesmo depois de ser molhada, atacada, cair e quase morrer 360 vezes, os outros tão sendo pisoteados por brontossauros, atacados por velociraptors (aprendi tudo no jurassic park, tá?), comidos por umas minhocas gigantes que me lembraram Duna ou Phantasy Star, e engolidos por uns insetos gigantes "friscosos mais gostosos". quando eles tão mais ou menos seguro, o jack black resolve apreender o macaco pra levar de volta pra nova york. idéia de gênio, né? o que poderia dar errado com isso?
detonam o king kong com 3 garrafas de clorofórmio e muita porrada. a ann fica desesperada implorando pra não fazerem isso e querendo voltar pro kong. claro, a essas alturas, ela já prefere o macaco. não vamos criticar a forma de amar das pessoas, não é mesmo? ninguém sabe como levam o macaco da ilha até o navio, se eles só tinham um BOTE e a ilha era toda cercada de rochedos. pra poupar solucionar isso, peter jackson corta direto pra nova york. espertinho.
daí tem todo aquele momento de crítica e metáfora política e econômica e mercadológica anti americana, anti mídia, anti bush e anti capitalista. botam o kong num freak show, ao vivo, pra uma platéia. de novo, nada poderia dar errado com isso, claro. botam uma ann darrow fake pra gritar e ele se solta. a ann de verdade está no teatro, porque não aceitou lucrar às custas do amor da vida dela. ao perceber que ele estava solto, ela corre ao seu encontro. mais cenas lindas de romance seguem e eles chegam no empire state. kong bota a mão no peito e ela fala - subestimando a inteligência do espectador como todo filme de hollywood - "bonito!". juro. eu achei muito fofo, tá? daí os aviões chegam e a coisa fica arrastada e chatinha. talvez séria demais. talvez porque o filme já entrava na terceira hora. leva mais tempo pra ele morrer do que pra um cavaleiro do zodíaco chegar ao sétimo sentido. mas ele morre. ela chora. jack driscoll chega no topo do prédio com a intenção de dizer que a ama, mas nem precisa. agora, sem o macaco, claro que ela fica com ele. se abraçam. umas duas cenas de passagem depois, o filme acaba.
highlights do filme:- o decote da ann darrow. as cenas da ann darrow com o vestido molhado - 50% do filme. as pernas da ann darrow. ain. vocês já entenderam.
- os efeitos. é fodão mesmo.
- participação especial da patassaura.
- o senso de humor de peter jackson e o MEU senso de humor.
- toda e qualquer cena que servisse de metáfora política e econômica e mercadológica anti americana, anti mídia, anti bush e anti capitalista.
- as histórias paralelas. afinal, tem mais de três personagens no filme. gosto especialmente do casal gay interracial enrustido no navio que, claro, é criação da minha mente suja.
- deu vontade de ter um bichinho de estimação.
comentários de platéia bem humorada: (aka: o que eu e meus amigos estávamos falando enquanto o filme passava)
- a bola é minha, o jogo acabou
- ele é um fofo incompreendido!
- não, não, não, little foot!
- friscosos, mas gostosos
- ai, lembra daquele episódio de sex and the city que a samantha fazia sexo num trapézio?
- chucky? chucky? você tá vivo?
- é o ciclo sem fim, que nos guiará...
- agora é a hora que ela vai dizer "bonito" para todos os telespectadores entenderem o recado da cena. vai, vai, vai. se ela não falar, esse vai ser meu novo filme preferido de hollywood. aiiii, droga.
- não acredito no que vou dizer, mas o adrien brody tá gostoso
- meu pequeno ladrão. acho que meus dvds tão aí.
- essa ilha tem tudo. praticamente o mercado de são josé.
em uma linha: se moulin rouge tivesse cenas na selva e o ewan mcgregor fosse um macaco...